Encontrei uma fotografia de 1982. Pelo que sei, a cadelinha da imagem, que já está no céu há alguns anos, chamava-se Lady. Conta-se que quando a cadela e a menina eram bebés, as respectivas dona e mãe de cada uma levavam-nas a passear, ao Jardim da Estrela, por exemplo. Quando alguém passava e dizia: "Ai, que linda, como é que se chama?", a mãe da menina respondia: "Teresa!" e as pessoas corrigiam: "Não, a cadelinha!" A dona da cadela e tia da menina, toda vaidosa por andar sempre com a sua caniche muito bem tratada e branquinha, repondia: "Lady!"
A Lady gostava de roer as peças de Lego da menina e de disputar, com ela, a atenção dos avós. Daí, o sorriso amarelo da criança que aqui tinha 4 anos.
Hoje em dia, quando tomo banho e estou todo cheiroso, há quem pegue em mim ao colo e diga: "Está tão lindo, até parece a minha Lady!"
Eu durmo em qualquer lado: no chão, no carro, na minha cama... acho que não tenho distúrbios do sono! O problema é que ando sempre todo sujo, chego a ficar da cor do chão. E o cheiro assemelha-se ao de uma pantufa velha! Mais tarde ou mais cedo vão ter que me dar banho. E à minha bola também! Porém, o pêlo sujo serve de camuflagem e, tendo em conta que a quantidade de sono nos animais está inversamente relacionada com o grau do perigo predatório, até me dá uma certa serenidade. Mas outro problema é não ter predadores... a vida assim não é tão estimulante. Por isso, limito-me a sonhar! De vez em quando ponho-me a ladrar e a mexer-me como se estivesse a correr, a correr... e os meus donos têm que me acordar para eu os deixar dormir!
À vezes até sonho que sou um Leão (da Arca de Noé do Vinícius de Moraes):
Também podia dizer "ateliê", mas a língua francesa adequa-se melhor a um caniche. E por falar em francês (e por pensar em pintura), lembrei-me desta, desta e desta de Pierre Bonnard, onde aparecem cães! Que cores, as de Bonnard...
Chegou ontem um convite para a inauguração da exposição de Svjetlan Junacovic, no Auditório Municipal Augusto Cabrita, no Barreiro. "O Grande Livro dos Retratos dos Animais" vai ser apresentado no dia 3 de Março, às 16h! Uma das imagens é esta do convite, que troca os atentos alunos da Lição de Anatomia do Doutor Tulp (de Rembrandt) por sapos, não menos atentos e de olhos esbugalhados (como convém a um sapo).
Gostava muito de ver... mas calculo que o espaço cultural não permita a entrada de animais, excepto animais "sobre papel"!
É sempre a mesma coisa, "à mesa não, cão!". Eu que gostava tanto de comer assim! (como nos desenhos da Catherine Lepage) Nem vale a pena fazer focinho de cão vadio... a minha comida continua a ser servida no chão!
Ao ver, aqui, esta imagem de grande bravura , lembrei-me das vezes em que tenho que ficar do lado de fora... como este amigo. Ficar à porta, civilizadamente e sem impedir a passagem a ninguém, é uma hipótese.
No entanto, para um cão que, como eu, sabe comportar-se e quando há boa vontade dos proprietários dos locais ou estabelecimentos (e se se verificar que o animal não causará qualquer tipo de prejuízo), é possível a entrada de cães:
A gentileza que existe na Santos da Casado Santos Disign District fez com que eu pudesse lá entrar e, do lado de dentro, esperar que os meus donos fossem atenciosamente atendidos.